terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

O CISNE NEGRO

                                              



O escritor libanês Nassim Taleb chamou de cisne negro à nossa incapacidade de prever o futuro a partir do passado e aos acontecimentos que daí podem advir. É certo que hoje já se encontram meios para descortinar um pouco do que há-de vir. Na ciência médica, por exemplo, o estudo da história clínica de um doente pode ajudar a prevenir certas doenças e tratar melhor de outras. No entanto, ainda há muito para fazer neste domínio de que certas causas determinarão dadas consequências.
Quem pode prevenir-se de uma catástrofe natural ou de um ataque terrorista?
Bertrand Russel dizia-nos, já em 1912, de uma maneira muito prática: “uma galinha que é alimentada todos os dias presume que continuará a sê-lo todos os dias. Nada na vida dela aponta para o facto de um dia vir a ser morta.” Esta constatação pretende dar resposta a duas perguntas formuladas por ele próprio e que são: Será que o passado nos ajuda a prever o futuro? Porque é que não antecipamos os acontecimentos inesperados? A tese do cisne negro, mais do que um modelo de tomada de decisões, é uma rejeição do princípio de causa e efeito.
Perguntar-se-á, o que é que isto tem a ver com a escola? Ora, na escola costumam fornecer-se aos alunos receitas pedagógicas já feitas. Raramente se fomenta no aluno um ambiente em que ele se sinta à vontade para discordar daquilo que lhe é proposto e dado como certo ou evidente. É por isso que, segundo Russel, “devemos sempre questionar as coisas que consideramos evidentes”.
Uma evidência é tudo aquilo que pode ser usado para corroborar que uma determinada afirmação é verdadeira ou falsa. Mas nem tudo o que é usado afirma a verdade. Quantas fraudes foram detectadas em ciência e que, à partida, pareciam verdadeiras?! Cite-se uma das grandes fraudes da Ciência, ocorrida há 100 anos que, até hoje, envergonha e intriga a comunidade científica: o anúncio de um esqueleto que, metade homem, metade macaco, seria o verdadeiro elo perdido da evolução.

Questionar, interrogar o que se vê e ouve, é proporcionar o desenvolvimento do espírito crítico construtivo que nos leva para um mundo com mais verdade. 

                                    Mário Freire