segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

QUEM ENSINA A PAZ?



Comemora-se no dia 1 de Janeiro o Dia Mundial da Paz.
Numa altura em que ainda está na memória o sofrimento dos pais daquelas crianças que foram mortas enquanto aprendiam na escola; num tempo em que é excepção a ocorrência de atentados à bomba no Paquistão, Iraque e Síria, devastando vidas inocentes; quando se lê que só na zona de Lisboa se registaram 331 casos de violência doméstica sobre idosos, sem que o ano tivesse terminado, e que nos últimos 5 anos os tribunais portugueses proferiram 208 condenações por homicídio conjugal, não podemos deixar de nos interrogar em que sociedade se está a viver?!
Será que a inovação tecnológica, que tanto aproxima aqueles que a distância separou, não consegue encurtar a distância afectiva entre as pessoas? Quais as causas, então, destas barreiras que nos impedem de vivermos numa sociedade pacífica e que faz da paz um bem, aparentemente, escasso?
Julgo que várias instâncias das sociedades contemporâneas devem ser responsabilizadas pelo construir da paz ou pelo gerar das guerras e violências, a saber:
Família: uma família que não considere a paz como valor primeiro, gera instabilidade nos elementos que a compõem, filhos inseguros e promove a intolerância e a agressividade.
Estado: um Estado que não estabeleça a justiça social como prioridade está a fomentar a desigualdade, a insubordinação e a revolta.
Escola: ela não deve limitar-se, apenas, a ensinar conteúdos académicos. Incentivar os alunos a modificar comportamentos no sentido da cordialidade, da compreensão mútua e da aceitação das diferenças é contribuir para uma sociedade mais pacífica.
Religião: todas as religiões devem ser factores promotores da paz. Só um Deus incoerente pretenderia que aqueles que Ele criou se destruíssem pela guerra.
Enfim, lutar pela paz, sem violência, não apenas no 1º dia do ano, mas sempre e em todas as instâncias da sociedade, é contribuir para a felicidade e o progresso da humanidade.


                                                         Mário Freire

 

sábado, 29 de dezembro de 2012

DECISÃO




Para os fracos os desejos

são apenas eu queria.

Para os fortes são ensejos:

A vontade é quem os guia.
 

Se há desejo inibido,

tudo é procrastinado.

Se há impulso decidido,

surge o acto consumado.
 

O poder de decisão

permanece em nossa mão:

não se pode alienar.
 

Fácil seja ele ou não,

decidir é condição

de na vida triunfar.
 

JOÃO d’ALCOR

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

NEURÓNIOS-ESPELHO




Porque será que os outros contagiam o nosso estado de espírito? Se encontrarmos alguém sorridente facilmente ficamos bem-dispostos, mas se encontrarmos alguém ansioso e stressado acabamos por nos sentir também angustiados.
Uma das explicações para este fenómeno são os chamados neurónios-espelho, isto é, células cerebrais que disparam quando vemos alguém realizar uma determinada ação ou sentir uma emoção, células essas que nos levam a identificarmo-nos com esse mesmo estado. Este mecanismo espelho transforma o que os outros fazem e sentem na própria experiência do observador, provocando assim a chamada empatia.
 A emoção que outra pessoa evoca no observador não é idêntica, mas leva esse observador a compreendê-la. Isto explica a nossa capacidade de nos pormos em relação com os outros ou de, por exemplo, nos emocionarmos com uma cena de um filme.
Quando observamos alguém, ativamos no nosso cérebro os mesmos neurónios de quando somos nós a fazer o que essa pessoa está a fazer, o que nos faz perceber o outro sem pormos em ato qualquer tipo de raciocínio.
O sistema espelho entra em ação só quando o sujeito observa comportamentos que ele próprio já executou anteriormente. Por esse motivo é que a nossa tendência natural é aproximarmo-nos de pessoas semelhantes a nós, pois reconhecemos mais facilmente as suas ações como sendo nossas. Assim, quanto mais experiências tivermos, maior a nossa capacidade de compreensão perante a diversidade de comportamentos dos outros, pois teremos um maior leque de referências internas.
Paralelamente às ações, também as emoções são partilhadas, daí ser tão importante circundarmo-nos de pessoas positivas e de sermos nós próprios positivos: o contágio não é tão superficial como se pode pensar, pois vai ativar fisiologicamente, em nós e nos outros, os neurónios cerebrais correspondentes!

                                 Rossana Appolloni

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

DÁDIVA



Dom maior do que o da vida

não se pode imaginar.

Fora ela concebida

conjugando o verbo amar.
 

Nela mesma se recolhe

todo o bem que seja dado.

Cresce sempre; não se tolhe:

Indo, volve acrescentado.
 

Oferenda é garantida

mais no dar-se que no dar,

convidando à própria mesa.
 

Dar e dar-se sem medida

leva tudo a sobejar:

Surge o gáudio na surpresa.
 

João d’Alcor


domingo, 23 de dezembro de 2012

ALGUNS CONSTRANGIMENTOS DA EDUCAÇÃO EM PORTUGAL




A educação melhorou consideravelmente nos últimos cinquenta anos. Todavia, ao mesmo tempo que cada vez maior número de estudantes frequenta as escolas também um maior número de estudantes abandona o sistema educativo, sem que tenham adquirido as competências necessárias para uma correcta inserção no mercado de trabalho. Nos países ocidentais estima-se que um em cada três adultos possua apenas educação secundária.
A educação é determinante no futuro de qualquer pessoa; ela não só está associada a uma maior remuneração mas, também, a melhor saúde e até a uma maior esperança de vida. Não é de esquecer, igualmente, que a educação poderá contribuir decisivamente para o crescimento económico.
O insucesso escolar penaliza uma criança para toda a vida. Uma criança que, como consequência desse insucesso, abandona a escola sem qualificações, tem perspectivas desfavoráveis em termos de emprego: menor remuneração na vida activa e menor pensão de reforma. Também não será capaz de participar na vida cívica nem de enquadrar-se convenientemente na sociedade moderna, além de vir a pagar menos impostos.
O abandono escolar, igualmente, acarreta custos elevados para a sociedade, limita a capacidade de produzir, crescer e inovar, prejudica a coesão social e impõe aumento das despesas sociais.
A redução do insucesso escolar e consequente abandono são uma prioridade para as políticas educativas de qualquer país. A educação e as competências são cada vez mais valorizadas na sociedade, já que as pressões geradas pela globalização põem em risco a coesão social.
A crise económica actual obriga a uma resolução prioritária do problema, visto que tornou muitas famílias vulneráveis economicamente. A situação coloca grande pressão sobre os governos em termos de escolha e implementação de melhorias nas políticas educativas.
O afastamento da escola ocorre quando as políticas educativas não conseguem evitar que o estudante siga o seu percurso escolar normal. Várias causas podem ser apontadas; da responsabilidade do estudante, podemos referir as dificuldades de aprendizagem, enquanto que os curricula e os métodos de ensino inadequados poderão ser da responsabilidade da escola e do poder central.
O insucesso escolar não é inevitável: políticas adequadas poderão conduzir-nos a sociedades mais justas em que os custos sociais sejam mínimos e em que todos possam ter as mesmas oportunidades. Pôr em prática políticas que reduzam o insucesso escolar e o abandono escolar, terão custos que serão recuperados a longo prazo.
Nos Estados Unidos um diplomado possuidor de grau superior poderá ganhar durante a sua vida activa mais $ 260.000 que um diplomado por uma escola secundária e pagar mais $ 60.000 em impostos. Também as despesas a suportar com a segurança social serão menores. Embora com valores muito diferentes, a situação em Portugal é semelhante.
Mesmo em época de crise, será desejável que as estruturas educativas continuem a desenvolver acções que contribuam para a redução dos constrangimentos da educação em Portugal. 

                                                                     FNeves

 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A IGUALDADE E A DIVERSIDADE


            O sector da educação é um dos que maiores recursos consome, de entre os que ao Estado compete administrar. No entanto, não têm faltado nas últimas décadas críticas quanto ao modo e ao conteúdo dessa mesma administração. Parece que esse sector ainda não conseguiu afirmar-se, verdadeiramente, como o principal motor do desenvolvimento do nosso país.
            É preciso que todos, independentemente das condições socioeconómicas, tenham iguais oportunidades para singrar e poderem vir a exercer as funções mais complexas e elevadas para que estão capacitados.
            Uma das linhas de força que tem vigorado no nosso sistema de ensino é o de que a igualdade implica uniformidade: o mesmo número de alunos para todas as turmas, os mesmos métodos, os mesmos programas para todas as escolas. 
            Ao nível da escolaridade obrigatória, as exigências devem ser as mesmas para todos. Mas isso não quer significar que todos tenham que percorrer os mesmos caminhos. A diversidade das situações pessoais, familiares e sociais dos alunos deveria acarretar percursos diferentes. “Toda a arte da pedagogia”, como disse Claude Allegre, antigo ministro da educação de França, “é precisamente conduzir a um mesmo nível os alunos, seguindo caminhos diferentes”. Por isso, a verdadeira igualdade, aquela que proporciona idênticas oportunidades, é a diversidade.
            Este postulado pode ter consequências que vão ao arrepio do que está estabelecido. Assim, existem disciplinas nobres (matemática, língua materna, inglês) e disciplinas secundárias (ciências naturais, história, música, educação física…)? Mas não terá o ensino a finalidade de proporcionar aos alunos um conjunto de conhecimentos e capacidades que lhes dê a possibilidade de expandirem as suas personalidades e de revelarem os seus próprios talentos?
            Tentar atingir a igualdade através da diversidade é, pois, um desafio com que os decisores políticos mas também os dirigentes escolares, os professores e a comunidade em geral deveriam aceitar para valorizar as crianças e os jovens e, assim, contribuir para um maior desenvolvimento do país. 

                                                   Mário Freire

             

 


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A FORÇA DA AUTODETERMINAÇÃO



Perceber por que queremos atingir determinada meta (alterar um velho hábito, ter mais proveito no trabalho, ter melhores notas, melhorar as relações sociais, etc.) é a condição primária para termos o máximo rendimento no quer que seja.
Os “tenho de” podem-nos fazer seguir em frente por algum tempo, mas a longo prazo deixam de ser suficientes para nos manterem naquele caminho. Os psicólogos Edward L. Deci e Richard M. Ryan desenvolveram a chamada Teoria da Autodeterminação no âmbito do modelo motivacional que nos ajuda a compreender melhor em que circunstâncias é que as pessoas mais facilmente atingem os seus objetivos.
Segundo esta teoria, as pessoas sentem-se mais realizadas quando satisfazem três necessidades psicológicas essenciais:
1. Sensação de competência: para nos sentirmos competentes, precisamos de procurar fazer atividades que nos ajudem a experimentar a satisfação de sermos bons em qualquer coisa.
2. Ligação com outras pessoas: somos seres sociais, pelo que todos procuramos estar em companhia uns dos outros; essa é uma das razões pelas quais quando se tenta obter um objetivo em conjunto, as possibilidades de sucesso aumentam.
3. Autonomia, isto é, a sensação de escolher livremente o que quer fazer. Se uma pessoa for motivada para fazer alguma coisa apenas por pressão externa, antes ou depois acaba por sabotar os seus próprios esforços.
Encontrar atividades que vão ao encontro das suas necessidades pessoais aumenta as probabilidades de alcançar a meta.
Um estudo feito com obesos demonstrou que as pessoas que perderam peso em troca de dinheiro (motivação externa) recuperaram os quilos a mais após a cessação dessa recompensa económica, enquanto que os obesos que desenvolveram motivações intrínsecas para o fazer tiveram excelentes resultados a longo prazo.
Cada um de nós só precisa de identificar as motivações autónomas, profundas e individuais que nos levam a encontrar a solução ideal para cada um de nós.

 
                          Rossana Appolloni

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

CUMPRIMENTO


 
Não afecta a cortesia

atinente à saudação,

dar a mão enquanto fria,

tendo quente o coração.
 

Mero encontro ou convivência

não o dão por dispensado,

desde a vénia à continência,

desde o beijo a abraço dado.
 

Saudação formalizada

azo dá ao fingimento,

pondo em causa a boa fé.
 

Lição nunca superada

resta, quanto ao cumprimento,

o sorriso de um bebé.
 

João d’Alcor

sábado, 15 de dezembro de 2012

"ESCOLA E CIDADANIA"



Francisco Goulão é um estudioso da História Local e um pesquisador da História da Educação em Portugal. Colaborou, ainda, na obra Liceus de Portugal, sendo presença, igualmente, na Revista História. Como historiador local tem vários trabalhos sobre Monforte da Beira, aldeia de que é natural, assim como de Proença-a-Nova. Como investigador da História da Educação, publicou, entre outras, a obra Instrução Popular da Beira Baixa, em 3 volumes e Problemas da Instrução Popular da Beira Baixa.
            Mas não era sobre estes estudos que desejaria debruçar-me mas sobre um outro, agora saído, embora datado de 2011, denominado de Escola e Cidadania – Teoria e Prática na Aprendizagem. Trata-se de um trabalho em que o autor, analisando o período que vai do Marquês de Pombal até aos nossos dias, apresenta como tese que “as dificuldades sentidas presentemente na evolução da aprendizagem e formação do tecido empresarial… são consequência de deficiências longínquas dos sistemas político, educativo e social”. Por isso, “importa analisar, de forma a extrair as ilações indispensáveis para diagnóstico correcto”.
Depois da apresentação e contextualização do tema, o estudo descreve a evolução das aprendizagens escolares e tecnológicas em França, Alemanha e Inglaterra, com ênfase no século XIX.
Segue-se um conjunto de propostas feitas por pedagogos e políticos, o primeiro dos quais é Luís da Silva Mousinho da Silveira, que exerceu funções equivalentes às de 1º ministro durante a Regência liberal. O autor termina este capítulo com a referência detalhada a Faria de Vasconcelos, um nome alto da educação da 1ª República e do Movimento da Escola Nova portuguesa.
O livro conclui-se com uma reflexão sobre a situação actual. Ora, esta ainda não tomou em devida conta os múltiplos contributos e experiências que, ao longo do livro, foram explicitados e que urge repensá-los. O passado não se repete; mas pode contribuir para construir um futuro melhor. Mesmo na educação!
 

                                             Mário Freire


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

COMO MUDAR ESTILOS DE VIDA


Mudar um hábito que já está consolidado há tempo é muito difícil: fazer ginástica regularmente, alimentar-se bem, parar com as compras impulsivas, ou simplesmente ter o escritório arrumado, são exemplos de práticas que podem levar uma pessoa à frustração caso queira adquiri-las e não consegue. Mas porque será que é tão difícil adquirir novos hábitos se as intenções são boas?
Faz parte da natureza humana arrancar com grandes objetivos. No entanto, como frequentemente se desiste deles antes de os conseguir atingir, é melhor começar com pequenas mudanças, com planos a curto prazo, tendo em vista objetivos ao seu alcance de forma a aumentar a autoconfiança para depois avançar para metas mais ambiciosas.
Por outro lado, é importante encontrar uma motivação pessoal, que o possa fazer sentir-se realizado e com a sensação de ter o seu próprio destino sob controlo. Ou seja, perguntar-se qual a verdadeira razão de querer uma tal mudança e encontrar a resposta numa motivação só sua e não numa pressão externa. Pode ser útil pensar em como esta mudança de comportamento pode contribuir para vir a ser a pessoa que deseja ou de que forma pode contribuir para melhorar a sua relação com os outros.
 Por fim, necessita de criar novas rotinas, que tornem os comportamentos desejados em automatismos, afastando assim os velhos hábitos. No fundo, é preparar-se para reagir a situações específicas, como por exemplo, no caso de querer deixar de fumar, recusar um cigarro se lhe for oferecido um.
Por norma, é muito mais fácil encontrar razões que justifiquem os nossos maus hábitos do que as que justificam os novos. O ser humano é feito de hábitos, daí ser tão difícil deixar os antigos, por muito maus que sejam. Um primeiro passo é reconhecer a dificuldade em mudar, pois ajuda-nos a sermos menos austeros connosco quando estamos em vias de mudança e a aceitar melhor os nossos limites, criando assim espaço para que seja tudo mais natural.

           Rossana Appolloni

 

 

 

 

 

 

 

 


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

CUIDADO




O andarmos em cuidados

faz da vida um pesadelo.

Longe de mim um tal modelo.

Nem por mal dos meus pecados.

 

Ser, de facto, cuidadoso

isso cabe a toda a gente.

Ninguém fique indiferente,

do mais novo ao mais idoso.

 

No cuidarmos nós de alguém,

dando provas de atenção,

há bem feito e bem que vem.

 

Mas seguro ilimitado

é sabermos, de antemão,

ter-nos Deus ao seu cuidado !

 

João dÁlcor

domingo, 9 de dezembro de 2012

A MOBILIDADE DO SISTEMA EUROPEU DO ENSINO SUPERIOR




Pela sua relevância, não nos podemos esquecer que a Europa não é apenas a Europa do Euro, dos bancos e da economia; deve também ser uma Europa do conhecimento. Esta é reconhecida como um factor de crescimento social e humano indispensável para consolidar e enriquecer a cidadania europeia, sendo ainda capaz de dar aos seus cidadãos as competências necessárias para enfrentar os desafios do novo milénio.

Devemos fortalecer e construir o nosso continente nos aspectos intelectual, cultural, social e técnico, entre outros. Estes têm, em parte, sido definidos pelas universidades, que continuam a ter um papel fundamental no seu desenvolvimento.

Há alguns séculos, quando as universidades nasceram, os académicos podiam circular livremente e, desse modo, disseminar o conhecimento. Um ensino superior de qualidade e acessível a todos é de extrema importância para uma sociedade europeia e democrática. Acessibilidade e diversidade têm sido, tradicionalmente, as bases da educação europeia e assim deverão permanecer no futuro.

            A mobilidade também é um modo de promover a compreensão cultural e a tolerância. Um espaço de ensino superior europeu que promova melhoria e cooperação requer mobilidade física de estudantes e investigadores. No entanto, a cooperação com instituições de ensino superior fora do espaço europeu poderá contribuir para que a realidade europeia seja melhor conhecida.

 Os obstáculos para a mobilidade não existem, em exclusivo, no mundo académico; também devem ser removidos obstáculos de natureza social, económica e política. Os Governos deverão garantir para os estudantes estrangeiros os mesmos direitos legais que os estudantes do país anfitrião e as instituições do ensino superior deverão assumir a responsabilidade de proporcionar aos seus estudantes programas de mobilidade.

A criação de uma verdadeira área de ensino superior europeia em que, necessariamente, os docentes e os estudantes devem ser vistos como parceiros activos, conduzirá a uma expansão da mobilidade e a um crescente interesse na educação e na pesquisa.

 

                           FNeves

 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

RANKING DAS ESCOLAS - OS MAUS RESULTADOS SÃO UM DETERMINISMO SOCIAL?




            As classificações das escolas com base nas notas dos exames nacionais do ensino básico e secundário evidenciam uma relação entre a interioridade, a insularidade, as condições socioeconómicas dos alunos e as habilitações dos pais.
Outra variável, igualmente, se destacou naqueles resultados, embora com menor impacto do que as anteriores: o número de professores do quadro e a sua antiguidade na escola.
Os resultados obtidos poderiam conduzir a perguntas do tipo: será que uma escola, situada numa zona do interior, seja do continente ou de uma das ilhas, com alunos predominantemente oriundos de meios desfavorecidos, está condenada aos maus resultados? Existe um determinismo que desencoraja e inibe a acção? Ou a escola encerra em si potencialidades, tendo em conta os seus recursos materiais mas, principalmente, as suas lideranças e os seus recursos humanos, que a poderiam fazer acreditar em resultados diferentes daqueles que, em princípio, seriam os expectáveis?
No semanário Expresso de 13 de Outubro refere-se uma escola – a Básica e Secundária de Padre António Andrade, em Oleiros, entre outras, que, situando-se na tal interioridade, com 66% de alunos carenciados, consegue dar a volta por cima das situações adversas e obtém o lugar 48º, entre mais de 600 escolas.
Igualmente, é referida, nos Açores, a Escola Básica e Secundária do Nordeste, onde a insularidade é manifesta, e se tem assistido a uma progressiva subida da sua posição no ranking nacional, de tal modo que este ano ocupou o digno 128º lugar.
Tendo em atenção as explicações que as direcções das escolas deram para justificar quer os bons resultados, quer as subidas significativas de posição, poderiam elencar-se alguns comportamentos favoráveis da escola:
- A proximidade com os pais. Se os pais não vão à escola, tenta-se que seja esta a procurá-los, diligenciando para que eles vejam na instituição alguém que pretende ajudar os filhos.

- Existência de regras dentro da escola que são para cumprir. 

- Participação dos jovens em projectos variados, dentro da escola (clubes de dança, de artes, de informática, de ciência…) e fora da escola (de voluntariado junto da comunidade, visitas de estudo devidamente estruturadas…).

- Trabalho em grupo, proporcionando ensino mais personalizado.

- Uma cultura de exigência nos horários, nos prazos, nos trabalhos efectuados, nas matérias a ensinar e a aprender.

Os maus resultados não são, necessariamente, um determinismo social. Com trabalho, sabedoria e perseverança talvez muitos dos obstáculos pudessem ser removidos e o sucesso dos alunos tivesse lugar.

                                                                                   Mário Freire

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

COMO CONTROLAR A AGRESSIVIDADE


 
No texto anterior vimos que a agressividade tem um lado positivo e um lado negativo, dependendo dos objetivos com os quais ela é utilizada. No caso de ser manifestada através de agressão para com o próximo, vejamos algumas dicas que nos podem ajudar a controlá-la:
1. Fazer uma pausa: antes de reagir a uma situação tensa, conte até 10 e respire profundamente; se for necessário, afaste-se da situação ou da pessoa que provocou tal tensão.
2. Expressar as razões da raiva: assim que estiver capaz de pensar lucidamente, exprima os motivos da sua frustração, preocupações e necessidades, de forma clara e direta, sem ofender nem tentar controlar.
3. Faça exercício físico: pode ser um canal expressivo de emoções; o exercício físico estimula a produção de substâncias cerebrais que provocam a sensação de felicidade e bem-estar.
4. Pense antes de falar: para que não se arrependa do que pode vir a dizer, faça um momento de reflexão antes de se expressar e deixe os outros fazerem o mesmo.
5. Identifique as possíveis soluções: em vez de remoer sobre o que o faz irritar, pense no que está ao seu alcance para resolver o problema.
6. Defenda as suas razões concentrando-se no que sente: evite criticar e atribuir a culpa aos outros. Em vez de acusar o outro (ex. “Nunca fazes nada nesta casa!”), expresse de que forma a atitude do outro o magoa (ex. “Fico incomodado que não me ajudes a levantar a mesa.”).
7. Tente usar o humor para aligeirar a tensão, mas não a ironia. Esta pode facilmente magoar os sentimentos do outro e fazer piorar a situação.
8. Faça exercícios de relaxamento: respiração, meditação, repetir palavras ou frases que lhe transmitam calma.
9. Saiba pedir ajuda: aprender a controlar a agressividade é um desafio para qualquer pessoa. Se há o risco de que a sua cólera possa causar problemas e que não consegue, sozinho, controlar a situação, considere a possibilidade de consultar um especialista.
 
Rossana Appolloni
 
 
 
 
 
 
 
 
 



segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

CULTURA


 

O ser culto é ter diplomas?

Faz pensar em ocultismo,

seres estranhos em redomas,

pandemias do autismo.
 

Outra estranha concepção,

sob o signo da ameaça,

é a discriminação

quanto a classes, credo ou raça.



Lavre a terra o agricultor

ou ensine quem é doutor,

formas são de cultivar.
 

Abrir-se a quem quer que for,

seja qual seu credo ou cor,

eis um campo a desbravar.


                                                            João d’Alcor

sábado, 1 de dezembro de 2012

INTERDISCIPLINARIDADE E COOPERAÇÃO



            De uma maneira geral, os professores ensinam aquilo que eles próprios aprenderam. Contudo, há que estar aberto às mudanças que o mundo sofreu nestes últimos anos e adaptar esse mesmo ensino a essas mudanças. O desafio que hoje se coloca não é tanto o de permitir aos alunos que eles reproduzam aquilo que aprenderam mas, antes, o de lhes proporcionar capacidades criativas de modo que eles aprendam a extrapolar e a utilizar os conhecimentos para fazer face a situações novas ao longo das suas vidas.  

            Ora a realidade aparece-nos como um todo, embora ela possa ser encarada segundo múltiplas perspectivas; daí surgirem as diversas disciplinas. Os professores deveriam, então, reflectir sobre a maneira de ligar os conhecimentos entre si e ajudar os alunos a compreender que os ramos do saber não são mais do que linguagens diversas para melhor se entender o mundo. Para isso, há que fazer cair o muro entre as matérias mas, também, entre as turmas e, até, entre as escolas.

O professor do futuro não dará as suas aulas isolado na sua sala, centrado na sua matéria específica. Ele terá que relacionar-se com os outros saberes, aprender com os outros colegas, tirar partido do que se faz nas escolas vizinhas.

Um ensino interdisciplinar, compartilhado por várias disciplinas, proporciona uma aprendizagem mais organizada e estruturada.

Por outro lado, não é um ministério que decide sobre a maneira como as crianças e os jovens devem aprender; pelo contrário, aquele deveria apoiar-se nos professores e perguntar-lhes quais as aprendizagens a proporcionar aos seus alunos para fazer face às mudanças rápidas que o mundo está a sofrer.


                                              Mário Freire

 

 

 

 

 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O LADO POSITIVO DA AGRESSIVIDADE




A raiva não é um sentimento (condição afetiva que dura mais tempo) nem um estado de ânimo (espécie de pano de fundo presente ao longo do dia, por exemplo). A raiva é uma emoção que emerge na sequência de uma situação externa; é uma reação que advém de uma avaliação que fazemos sobre um determinado evento que acontece à nossa volta.

Em qualquer situação que seja previsto um confronto, quer se trate de uma reunião no emprego, quer de uma entrevista de trabalho, o nosso sistema emocional tenta sempre equilibrar a nossa atitude relativamente ao fluxo de informação que nos vai chegando e regula o nosso corpo, preparando-nos para a necessidade de uma possível ação. Simultaneamente, comunicamos as nossas intenções através das emoções, muitas vezes com maior intensidade e eficácia do que fazem as palavras.

 Esta relação entre o que recebemos do externo e o que ativamos no interno é perfeitamente normal e inevitável. O problema é que por vezes o impacto da informação que recebemos do exterior é de tal maneira forte que perdemos o controlo das nossas emoções, logo, das nossas ações.

Curiosamente, irritamo-nos mais com as pessoas de quem mais gostamos: marido, mulher, namorado/a, filhos e pais são quem mais nos faz perder a cabeça. Esta situação justifica-se, em parte, porque não há amor e ligação afetiva que não arraste consigo uma parte de agressividade.

Tudo neste mundo traz consigo o seu oposto. No entanto, a raiva não é apenas uma expressão emotiva negativa. Ela representa também uma resposta à ameaça, à frustração e ajuda-nos a lutar pela nossa segurança, dando-nos a energia emotiva e física para resolver um problema. Assim, ser agressivo não é errado de todo, pois a raiva pode ser uma força positiva e construtiva, uma emoção que permite fazer valer as próprias razões e negociar as próprias necessidades. A questão à volta da agressividade é que ela deve ser utilizada com consciência e para a nossa proteção, não para agredir o próximo.

Rossana Appolloni